Depois de ter observado a lista das acções de formação do CFAE – Centro-Oeste, verifiquei que as hipóteses para o meu grupo não eram muitas. Decidi, então, inscrever-me nesta oficina de escrita criativa, apesar das oitenta horas, por considerar o tema interessante e tendo em conta que nunca tinha frequentado uma formação nesta área.
Inicialmente, confesso que estava preocupada com o número de horas a cumprir e o esforço que isso implicaria. Neste momento, faço um balanço muito positivo da acção, por tudo o que foi partilhado ao longo das sessões (experiências do grupo e da formadora, actividades já realizadas e a realizar, livros, filmes, teatro, música, sítios, blogues, lanche), pelos momentos de descontracção e, sobretudo, por me terem incentivado a ter uma atitude mais activa, que não se resumiu a elaborar uma reflexão final. Fico, no entanto, com a sensação de que muito ficou por dizer e fazer. Muitas horas mais seriam necessárias para um trabalho aprofundado, até com alguns exercícios direccionados para o professor e não tanto para os alunos.
No que diz respeito às actividades desenvolvidas nas sessões, nem todas se poderão aplicar aos níveis que lecciono (3º ciclo e secundário), mas há várias que tenho a intenção de utilizar, quando se proporcionar.
Gostei do Jogo de Apresentação, é uma forma diferente de ficarmos a conhecer um pouco melhor o outro, embora pense que a sua realização dependerá do perfil dos alunos, assim como o número de objectos a utilizar.
O Mapa Mental é outra actividade interessante que, na minha opinião, funcionará melhor com alunos mais velhos. A construção do mapa, com as suas ramificações, será a parte mais fácil; a elaboração do texto, sem parar, mesmo sem estarmos preocupados com os aspectos formais de linguagem, é mais difícil. Para que as ideias fluam mais facilmente, será importante fazê-lo várias vezes com os mesmos alunos.
Quanto ao jogo Palavras há Muitas, já o realizei na minha turma do sétimo ano e numa do oitavo. Os alunos mostraram-se receptivos, mas alguns tiveram dificuldades no início, pois não percebiam o que era uma palavra amarga ou leve, por exemplo. Foi necessário dar-lhes alguns exemplos.
O jogo das Perguntas e Respostas (Des)Encontradas, assim como todas as outras variantes, que realizámos nas sessões, é muito simples e pode ser feito com crianças mais novas. Acrescentaria aqui uma outra sugestão que encontrei nas fotocópias. É o jogo Quando as Vacas Voarem…, em que um aluno escreve uma frase hipotética, começada por quando, e outro dá uma resposta no futuro (sem que um saiba o que o outro escreveu). O exemplo dado é o seguinte: Quando as vacas voarem, arrumarei o meu quarto.
Existe também a possibilidade de utilizar Os Olhos que fazem o Retrato no 3º ciclo, embora não se possa estar à espera de textos muito elaborados. A parte mais complicada é, sem dúvida, escrever aspectos negativos em relação à personagem que apreciamos.
Talento Sem Fronteiras é uma das minhas preferências, contudo de algum grau de dificuldade. Penso que funcionará melhor no secundário, uma vez que o exercício exige a elaboração de um texto relativamente longo.
Outra actividade que apreciei foi completar os poemas, o que fizemos com as letras da Mafalda Veiga. Vou realizá-la quando estiver a dar o Texto Poético, no 3º período. Costumo passar canções com espaços em branco, para os alunos completarem e, geralmente, eles gostam muito. Vou tentar escolher um poema musicado que não seja muito longo e utilizá-lo nas minhas turmas do oitavo. Outro exercício para a unidade do Texto Poético é o das Frases Poéticas, em que os alunos só têm de seleccionar os elementos das várias colunas e construir frases. É também uma maneira de dar as figuras de estilo, por exemplo a comparação e a metáfora.
A Receita Criativa é mais um exercício possível quando se dá a unidade dos textos da Comunicação Social e Interpessoal (7º e 8º anos). Sempre que dou estes conteúdos, costumo trabalhar com os alunos a elaboração de notícias, a construção de anúncios publicitários (publicidade comercial ou institucional) e de histórias de banda desenhada. Este ano lectivo, alguns discentes utilizaram o sítio Pixton.com para elaborarem as suas bandas desenhadas.
Na unidade da Literatura Tradicional Oral, podemos pedir que elaborem um conto a partir de fichas com linhas de orientação, como aquelas que a formadora nos forneceu. Os diálogos entre objectos, partes do corpo, letras, frutos ou electrodomésticos podem ser muito criativos e de fácil realização.
Das muitas sugestões apresentadas, gostava ainda de referir a elaboração de uma história a partir de um dedoche, assim como a própria construção do boneco, que gostei muito de fazer, apesar das orelhas do Sr. Bigodes não terem ficado muito bem. Um artista não se faz num dia… O que é certo é que vim para casa e construí mais dois dedoches, e até melhorei as orelhas do gato.
Coincidência ou não lecciono Área de Projecto numa das minhas turmas. Um dos grupos tem o subtema Arte e Saúde e há algum tempo que anda a pensar na possibilidade de, no 2º período, fazer um Workshop de papel maché ou de feltro manual, pedindo a colaboração de alguém exterior à escola. Depois da sessão dos fantoches de dedo, fiquei a pensar se não posso ser eu a ajudar o grupo nesta actividade. Afinal, até já sei fazer dedoches (presunção e água benta…), só precisamos de arranjar o material. Os bonecos podiam ser utilizados na aula de Língua Portuguesa para a elaboração de uma pequena história. É um caso a pensar.
Em jeito de conclusão, resta-me sublinhar o espírito de grupo que se gerou nesta formação – nunca tinha frequentado uma acção em que formandos e formador aparecessem com lanches, foi uma surpresa – e só lamento que a correria do dia-a-dia não permita que as pessoas partilhem mais para fazerem melhor. Acrescento ainda que gostaria de ter mais crisálidas neste portefólio se o tempo o permitisse. No entanto, e como o nome crisálida indica, este blogue é apenas um embrião.