LOUCURA
Mas o que mais impressiona os seus companheiros de rua é a sua rebeldia. Até já lhe chamaram "o louco", mas o Sr. Bigodes apressou-se a explicar que isso poderia ser mal interpretado, que estava em causa o seu bom nome, e lá esqueceram o epíteto. Seria impossível contar aqui todas as aventuras em que esteve envolvido. Houve um tempo em que até se realizavam sessões ao fim-de-semana. Era como ir ao cinema, mas mais emocionante!
Todos sabem que a sua primeira travessura foi roer o fio do rato do computador lá de casa. Logo a seguir interessou-se pelo fio do carregador do telemóvel. Até aqui a dona ainda perdoou. Mas depois veio o papel higiénico desfeito, a jarra partida, o cesto dos papéis... Enfim, nem os sapatos escaparam. As correrias desenfreadas e as acrobacias tornaram-se numa constante. A dona cansou-se e, sem dar conta e com apenas nove meses de idade, o Sr. Bigodes veio viver para o bairro. Aqui começou a verdadeira aventura da sua vida...
Os primeiros anos foram uma "loucura", entre dias sem comer, a roubar, à chuva e ao frio, e dias a lutar pelo seu espaço naquele território. Escapou teimosamente a dois atropelamentos e a várias lutas de rua. No meio da avalanche de acontecimentos que foi a sua vida, fez todas as diabruras possíveis. Mágoas, sim, guarda algumas. Dos humanos, sobretudo. Mas nunca perdeu aquele olhar de "louco".













