Acrósticos elaborados por alunos do 7.º A, do 7.º E e do 7.º H - 2015
Crisálida Criativa
sexta-feira, 22 de maio de 2015
sábado, 9 de maio de 2015
Crisálida 54
Texto coletivo elaborado por uma turma do 7.º ano, em 2011, a partir do conto de José Saramago.
A Maior Flor do Mundo
Era uma vez um rapaz chamado Job. Ele era loiro como o trigo, franzino e frágil como uma flor, porém, activo, aventureiro e simpático. Vivia numa cidade com poucos espaços verdes, só a sua casa tinha um verdejante e fresco jardim.
Certo dia, o menino foi com o seu pai dar um passeio de carro. Pararam no cimo de um monte para apreciar a paisagem.
Job saiu do carro e avistou um pequeno e gordo escaravelho. Resolveu segui-lo. O pai, enquanto o rapaz se deliciava com o bicho acrobata, aproveitou para arrancar uma pequenina e verde árvore que se encontrava naquele local. O que o pai não sabia era que essa árvore dava sombra a uma flor de rara beleza.
Já muito afastado do carro, o garoto continuava a divertir-se com o escaravelho. Lá o conseguiu apanhar, no meio de tantos saltos e acrobacias. No momento em que estava a chegar ao pé do pai, o bicho saltou-lhe da mão e, assustado, escondeu-se atrás da flor. Job, olhando-a fixamente, achou-a deslumbrante, contudo entristecida.
Preparava-se para agarrar novamente o malandreco do insecto, quando ouviu a voz do pai que o chamava, depois de ter colocado a árvore no banco traseiro do automóvel. Chegados à cidade, tratou logo de guardar o escaravelho numa caixa de sapatos, onde fez alguns buracos.
Uns dias depois, numa bela manhã de sábado, estava Job no jardim a brincar com a sua caixa, abrindo-a e fechando-a. Nesse instante, o pai chamou-o para almoçar e o menino correu até à cozinha, esquecendo-se da caixa aberta. De regresso à brincadeira, Job deu conta que o seu bicho de estimação fugira. Sem pensar duas vezes, resolveu ir procurá-lo onde o tinha encontrado.
Para chegar ao cimo do monte, o rapaz atravessou a cidade, passou pelo rio Cigarra e caminhou por entre as árvores da Floresta do Circo. Já próximo do Monte Perdido, muito cansado, esteve quase a desistir da sua caminhada, mas ainda arranjou forças para alcançar o cume. Chegou lá acima completamente exausto! Sentou-se numa rocha e descansou durante alguns minutos. Foi então que a viu. Iluminada pelo Sol, mas murcha, lá estava ela, sozinha, a flor de rara beleza!
O menino, ao presenciar aquela triste realidade, ficou destroçado. Emocionou-se e não conseguiu conter a sua tristeza. As lágrimas brotaram do seu coração e começaram a cair sobre a flor. Job ficou assim durante horas. Tanto tempo que acabou por adormecer.
Acordou com as estrelas a quererem nascer. Olhou para o céu e qual não foi o seu espanto quando viu a flor, enorme, curvada como se o estivesse a proteger. Ficou ainda mais estupefacto quando esta lhe perguntou:
– Já acordaste?
Antes de conseguir reagir, ouviu a voz do escaravelho:
– Grande dorminhoco!
Cada vez mais baralhado, o miúdo gaguejou:
– Vocês conseguem faalaar?! E conhecem-se?
E a flor respondeu-lhe com um agradecimento:
– Muito obrigada por me fazeres renascer! Devo-te a vida! Não te assustes, os habitantes do Monte Perdido falam, mas tens de prometer que não vais contar nada a ninguém.
– A flor é uma amiga de longa data – esclareceu o escaravelho.
– Já percebi tudo. Está prometido! – respondeu o rapazinho.
E naquele fim de tarde, com o coração cheio de paz, a criança regressou à cidade, deixando no monte os seus novos amigos.
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Crisálida 53
Agrupamento de Escolas Madeira Torres
Prémios solidários das equipas vencedoras do concurso de conhecimentos iniciado no 1.º período. Os blocos e os lápis são da ALAAR (Associação Limiana dos Amigos dos Animais de Rua).
8.º C
7.º E
7.º H
7.º A
8.º E
domingo, 26 de abril de 2015
Crisálida 52
LOUCURA
O Sr. Bigodes é o príncipe lá do bairro, a autoridade máxima. E não é só por causa dos seus seis anos de vida e cinco quilos de peso. Com o seu temperamento vivaz e a sua inteligência, conquistou o respeito e a admiração de todos. Claro que o porte atlético e majestoso e, simultaneamente, o azul ternurento e enigmático do olhar, sempre lhe granjearam a simpatia do público feminino. Agora, aos seis anos de idade, considera-se um verdadeiro Seal Point, embora não corresponda ao perfil oficial. Charme, tem de sobra. Verdade seja dita, quem consegue resistir a um morenaço de olhos azuis?
Ao longo da sua permanência na comunidade, o bairro "Miar é que está a dar", provou que é um gato culto. Muito curioso, nada lhe escapa. Sabe que pertence à raça dos siameses e que os seus antepassados vieram da Tailândia. "E a Tailândia é muito longe?" - perguntam-lhe. Aqui o Sr. Bigodes, que nunca foi muito bom nestas coisas da Geografia, diz que sim, que teriam de atravessar muitos bairros para lá chegar. O que interessa, acrescenta, é que os primeiros siameses chegaram a Inglaterra no século XIX e, anos mais tarde, a Portugal. Quando chega a esta parte hesita, abana a cauda e diz que foi mais ou menos assim.
Mas o que mais impressiona os seus companheiros de rua é a sua rebeldia. Até já lhe chamaram "o louco", mas o Sr. Bigodes apressou-se a explicar que isso poderia ser mal interpretado, que estava em causa o seu bom nome, e lá esqueceram o epíteto. Seria impossível contar aqui todas as aventuras em que esteve envolvido. Houve um tempo em que até se realizavam sessões ao fim-de-semana. Era como ir ao cinema, mas mais emocionante!
Todos sabem que a sua primeira travessura foi roer o fio do rato do computador lá de casa. Logo a seguir interessou-se pelo fio do carregador do telemóvel. Até aqui a dona ainda perdoou. Mas depois veio o papel higiénico desfeito, a jarra partida, o cesto dos papéis... Enfim, nem os sapatos escaparam. As correrias desenfreadas e as acrobacias tornaram-se numa constante. A dona cansou-se e, sem dar conta e com apenas nove meses de idade, o Sr. Bigodes veio viver para o bairro. Aqui começou a verdadeira aventura da sua vida...
Os primeiros anos foram uma "loucura", entre dias sem comer, a roubar, à chuva e ao frio, e dias a lutar pelo seu espaço naquele território. Escapou teimosamente a dois atropelamentos e a várias lutas de rua. No meio da avalanche de acontecimentos que foi a sua vida, fez todas as diabruras possíveis. Mágoas, sim, guarda algumas. Dos humanos, sobretudo. Mas nunca perdeu aquele olhar de "louco".
Regina Dias
Crisálida 51
TERRA DO ARCO-ÍRIS
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| Imagem retirada da Internet |
Na Terra do Arco-Íris
Reina grande confusão;
Com arrebitado nariz,
Estão as cores em discussão!
O velho arco-celeste
Foi chamado à reunião.
Querem ouvir o sábio mestre
Pra decidir quem tem razão!
«Sou atraente e fundamental
– Argumenta o amarelo –,
Sou puro, único, especial!
Quem pode ser mais singelo?
Vivo em toda a Natureza,
Tamanha é a minha beleza!
Vivo em quadros famosos,
Até em animais venenosos!
Vivo na ilustre Casa Amarela,
Van Gogh assim o desejou,
Nos girassóis que tanto amou,
Na flor que brotou na viela.»
Retorquiu muito enfurecido
O impetuoso vermelho.
Também ele era querido
E deixava-lhes um conselho:
«Cores do arco da aliança,
Ouçam bem, com atenção!
Não há cor de maior confiança
Do que a do meu coração!
Sou hemácia, sangue e vida,
Planeta vermelho, estrela gigante.
Por ti tudo faço, minha querida,
Dou-te o rubi e a rosa brilhante!
Fruto vermelho, tão desejado!
Pintura pré-histórica, caçada.
Vestido escarlate, encarnado,
Fogo, pôr-do-sol, amada!
Sou papoila, cravo, paixão,
Glamour, tapete, sedução,
Antídoto contra a solidão,
Assim sou eu, furacão!»
Já cansado deste discurso,
Interrompeu o azul irritado:
«Mas isto é algum concurso?
– Questionou em tom desolado.
Possuo sangue azul, sou aristocrata.
Represento a ordem e a harmonia.
Sou céu e mar, fina flor, a nata!
Até tenho bandeira, quem diria!
Os meus olhos são safiras,
Tão belas e preciosas!
Não sou dado a mentiras,
Gosto de mãos generosas!
Encontrei Picasso na solidão,
No cinema também passei,
Na lagoa azul da paixão
A quem tanto me dediquei!
Que seria do planeta sem mim,
Da Terra do Arco da Chuva?
Seria com certeza o seu fim,
Assento-lhe como uma luva!»
Pediu o arco-íris que findasse
Pra que o laranja também contasse
Os seus vastos feitos gloriosos,
Pois todos estavam curiosos.
«Nem sei por onde começar,
Depois de tanto ouvir falar!
Caros senhores, não sou mestre,
Mas também não sou agreste!
Sou doce como o mel silvestre,
Como a abóbora, nutritivo,
Em dia de bruxas extraterrestre,
Mas sempre vosso amigo!
Gosto da laranja sumarenta,
Sou a alegria e a simpatia,
Quero viver até aos noventa,
Com muita, muita energia!
Sei que não sou essencial,
Como o vermelho e o amarelo,
Nem aristocrata ou celestial,
Mas não torno o mundo mais belo?»
O verde, até então muito calado,
Deitou mais achas na fogueira:
«Vivo na planície, no montado,
Na imensa floresta e na clareira.
Nas árvores e nas flores:
Carvalhos, pinheiros, figueiras,
Hortênsias, azáleas, roseiras
Das belas ilhas dos Açores.
A esperança trago comigo,
Pra te dar equilíbrio, amigo!
Renasço a cada primavera,
Nas folhas do Aloé Vera.
Azeitona, chá, hortelã,
Esmeralda, olivina, maçã;
Verdes de inveja já estão,
Ou superam a competição?»
E logo o violeta respondeu:
«Vivo, como tu, no arco deste céu,
Tenho nome de flor singela,
Sou ametista, serena e bela.»
E o anil continuou, aborrecido:
«Não sou melhor, nem pior,
Só não sou tão conhecido,
Mas nem por isso sou inferior.
Anil para uns, para outros índigo,
Nome de planta e de corante,
Da cor azul sou muito amigo,
Mas nem por isso arrogante.»
Pediu a palavra o arco-celeste
E a todas as cores se dirigiu:
«Cuidado, amigas – e repetiu,
A arrogância é uma peste!
O futuro está na vossa mão,
Fruto do vosso afeto e união;
Se uma cor do arco desaparecer,
Poderá esta terra não sobreviver.
Vermelho, laranja e amarelo,
Verde, azul, anil e violeta,
Convosco tudo parece tão belo,
Lutem por um fraterno planeta!»
E assim terminou a confusão
Entre as cores do arco do céu;
Viveram sempre em comunhão
E nunca mais houve escarcéu.
Regina Dias
Concurso Nacional de Poesia/Conto Contra o Racismo, 2013
sábado, 25 de abril de 2015
Crisálida 50
Desenhos elaborados pelo 7.º H, do Agrupamento de Escolas Madeira Torres, em 2015, a partir da obra de Luis Sepúlveda: "História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar".
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